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Para ilustrar seu texto, Danilo.

Imagine uma sociedade onde todas as pessoas são viciadas em uma substância. Quando eu falo todas, são todas MESMO. Essa substância é vendida em qualquer supermercado, farmácia ou loja. Todos têm acesso, inclusive crianças. Essas, vale ressaltar, são expostas à substância pouco depois que nascem, aos 6 meses de idade.

Como todos consomem a substância diariamente, a maioria não percebe seus efeitos deletérios. E muito menos percebem que são viciadas. Na verdade, elas até percebem, mas justificam esses efeitos com a desculpa do exagero ou a frase “Eu paro se quiser. Não sou viciado.”

Profissionais de saúde, médicos e psiquiatras, citam constantemente os resultados de suas pesquisas. Eles afirmam que a substância não causa vício. Tentam provar que a dependência segue determinados padrões, mas no fundo, só justificam o fato deles mesmos não conseguirem parar com o uso da substância, com seu próprio vício.

Mas isso não significa que não haja tentativas de parar. Mas você deve imaginar como isso é difícil. A pessoa que "acorda" como aquele que sai da caverna na Alegoria de Platão, é criticada e rechaçada, julgada louca. “Como assim? Vai parar? Não faça isso! É muito radical.” Ou “Use só um pouco, só hoje.”

Mesmo com toda dificuldade, muitas pessoas dessa sociedade têm conseguido superar o vício. Os sintomas da abstinência aparecem: gosto diferente na boca, dor de cabeça, pensamentos voltados ao uso da substância, desejo, mas a força de vontade é maior. Às custas de muita disciplina, elas param com o uso e reganham o controle.

Algumas param por completo o uso outras param, mas usam de vez em quando. Independente, elas se destacam por serem pessoas mais saudáveis, mais de bem com a vida.

É certo que são vistas com estranheza pelos viciados, mas elas formam seus grupos isolados. Nesses grupos, vistos pelos viciados, como grupos de terroristas, elas trocam idéias, conversam e debatem o não uso da substância. Eles acabam formando guetos, comunidades, são os “diferentes, os excluídos”

Você acha que uma sociedade como essa existe? Se sim, que substância seria essa?

Texto publicado dia 23 de janeiro de 2021 no Instagram

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Quem fala que açúcar não vicia é, provavelmente, o mais viciado. Ele não vê o próprio vício e julga quem não usa. Em uma sociedade viciada, aqueles que conseguem sair do vício são os marginais.

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